dialogue

João Jacinto

comércio de peixe fresco

DIALOGUE #17

project space

25.05. — 19.07.2026
curadoria de · curated by Sara & André

O João fuma charutos desde 1992. Um por dia a seguir ao almoço. Por vezes também a seguir ao jantar.

Os melhores charutos vêm de Cuba e há marcas para todos os preços. Depois da revolução cubana (de 1959), com a nacionalização de todas as fábricas, muitos dos seus antigos proprietários partiram para países vizinhos como a República Dominicana ou a Nicarágua e, com esse movimento, muitos dos melhores enroladores de charutos emigraram também. Há no entanto algo especial na planta cubana, fruto do clima e/ou do trabalho continuado durante séculos por gerações e gerações de plantadores e, com o embago económico norte americano imposto em 1962, a mística dos charutos cubanos consolidou-se consideravelmente, tornando-os mais desejados que nunca. Nos últimos anos a Ásia e em particular, a China, tornaram-se os maiores consumidores de habanos, levando inclusivamente a que haja alguma escassez no mercado europeu e, por conseguinte, também no lisboeta. Cada quinta feira, quando chega uma nova remessa diretamente de Cuba à Casa Havaneza, é quase certo que apareça um comprador oriental tentando adquirir a maior quantidade possível, para posteriormente especular no mercado chinês, no qual certas marcas chegama ser vendidas por 10 vezes o preço. Apesar de tudo o João vai conseguindo manter o seu hábito, seja através de reservas, de uma ou outra caixa que fica “esquecida” ou guardada debaixo do balcão para clientes habituais ou ainda, experimentando charutos de marcas ou origens menos conhecidas. E assim sabemos que certamente irá prosseguir por algum tempo mais a produção destas preciosas pinturas, das quais hoje podemos fruir 45 exemplares.


Sara & André